4ª Vivência Internacional da Comunidade Caxuté: O Pensamento Bantu-Indígena no século XXI: memória-biocultural, ancestralidade, identidade, território e resistência.

 

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A Comunidade de Terreiro do Campo Bantu-Indígena Caxuté, está situada entre rios, dendezeiros, matas e manguezais, no povoado de Cajaíba, distrito de Maricoabo, Valença – BA. Vem sendo construído a mais duas décadas sob a liderança da sacerdotisa Afro, Mam´etu Kafurengá (Mãe Bárbara) que descende e amplia o legado partilhado por Mam´etu Kasanji (Mãe Mira) uma das mais destacadas matriarcas do Candomblé Bantu Kongo-Ngola do Baixo Sul da Bahia, na famosa Costa do Dendê.

A Comunidade Caxuté tem se tornado um território de referência na defesa do legado ancestral Bantu-Indígena no interior da Bahia, pois, além de ser um local destinado a celebração dos Mukixi[1] e Caboclos[2], a Comunidade tem se empenhado na construção de iniciativas que fortaleçam a ancestralidade e o modo de vida dos povos Bantu, como é o caso da Primeira Escola de Religião e Cultura de Matriz Africana do Baixo Sul da Bahia – Escola Caxuté que foi reconhecida com os Prêmios de Culturas Afro-brasileiras oferecido pela Fundação Palmares no ano de 2014 e de Patrimônio da Salvaguarda Cultural concedido pelo IPHAN em 2015.

As ampliações das demandas políticas, sociais, culturais, ambientais, econômicas e territoriais ecoaram de maneira mais intensa na última década, a partir da conquista de políticas e ações afirmativas que mesmo timidamente avançaram sob os limites do Estado brasileiro que infelizmente ainda nos dias de hoje reproduz um “modus operandi” escravocrata e colonial através do mito da democracia racial.

No entanto, nos dias atuais sentimos uma nova ofensiva que pretende aniquilar com força todas as conquistas ainda não consolidadas pelas comunidades tradicionais brasileiras, se tomarmos como marco a constituição de 1988, vamos ver que a sociedade brasileira tem experiência a mais de quatro séculos de opressão sob os povos originários e povos africanos vindos da diáspora, no entanto, não conseguiu sustentar três décadas de leis que em muitos casos nem mesmo saíram do papel e já estão sendo riscadas com sangue da história do período democrático nacional.

Percebendo que só com a ampla aliança com os povos do campo, das águas e das florestas é que a partir de 2015 a Comunidade Caxuté começa a se articular junto a Teia dos Povos no sentido de defender os territórios ancestrais e cultivar o Bem Viver, através da mobilização, educação libertadora, soberania alimentar e Agroecologia.

Nesse sentido, à oito anos a Comunidade Caxuté vem gestando junto a parceir@s o Projeto Viver Terreiro, que desde 2014 tornou-se um espaço de caráter internacional e através da Pedagogia do Terreiro, tem buscado dialogar com a sociedade sobre a importância do legado Bantu-Indígena no Brasil.

[1] Ancestrais vinculados a elementos da natureza cultuados nos terreiros de Candomblé oriundos da cultura Bantu (povos com identidade linguística similar oriundos região africana situada a baixo da linha do Equador, de onde foram trazidos os primeiros povos negros escravizados para a América)

[2] Ancestrais com fortes influências indígenas cultuados nos terreiros de Nação Angola.

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