Comunidade Caxuté tecendo a Teia dos Povos

16128773_10208100192291887_69150581_n

Mística de abertura da primeira reunião da Teia dos Povos, 2017

Entre os dias 12 e 15 de janeiro do ano de 2017, a Comunidade Caxuté, participou da primeira reunião do ano da Teia dos Povos, estiveram presentes comunidades camponesas, movimentos sociais, coletivos de universidades, povos indígenas e de terreiros do campo e demais convidad@s. O encontro ocorreu no Centro Integrado Florestan Fernades às margens do Rio Aliança, no Assentamento Terra Vista.

p1040262

Ao longo dos dias foram debatidos temas estratégicos para a organização popular dos povos que lutam em defesa do território, da soberania alimentar e da Agroecologia.

Embora o cenário nacional e internacional esteja assustador, em meio a crise, conflitos, governos tiranos, entendemos que a organização do povo é a única possibilidade para que @s oprimid@s do mundo possam continuar caminhando e sonhando com dias melhores baseados no Bem Viver, superando essa estrutura capitalista, consumista que sufoca e mata o povo negro/preto, pobre, índio e camponês.

Neste sentido a Comunidade Caxuté compartilhou sua zuela de paz dedicada ao Tat´etu Nlemba e apresentou suas contribuições para fortalecer os princípios da Teia dos Povos, apontando que a ancestralidade é um importante instrumento de luta, quando conectada à resistência d@s noss@s antepassados, sem os quais dificilmente avançaremos rumo à novas conquistas. Nesse intuito, o movimento indígena convidou a tod@s presentes, que ao voltarem para as suas comunidades, realizem suas assembleias, atividades e rituais durante a Lua Cheia de cada mês, fortalecendo assim o elo de ligação com a natureza e @s encantad@s.

Espaços como esse obrigam o indivíduo a desprender-se, senão por completo, pois cada um possui sua bagagem de experiências, mas de quase tudo que lhe foi ensinado, ambientes como esses ensinam a se permitir a aprender de novo, se repensar, reinventar, sob o olhar descolonizado dos mais antigos. (…) Cuidar do outro, e entender que nosso papel não é reproduzir opressões, mas quebrar essas correntes. Dar nome aos nossos fantasmas e destruí-los (Capitalismo, machismo, racismo, etc.). Homens e mulheres, jovens e idosos, caminhando lado a lado, transbordando respeito, coragem e amor. Afirma: Andréa Souza, integrante do GAJUP/UNEB – Campus XV.

A Comunidade Caxuté foi o primeiro núcleo de base à compor a Teia dos Povos no Baixo Sul da Bahia, isso nos dá imensa responsabilidade e nos desafia a fortalecer, cada vez mais a militância dos Terreiros do Campo, junto aos movimentos sociais de luta pela terra, defesa do território e do Bem Viver.

Durante o encontro a Comunidade Caxuté se colocou a disposição para contribuir com a construção das Escolas dos Povos, em especial através da consolidação da Escola do Quilombo, do Terreiro e do Tambor. A comunidade pretende semear experiências educativas emancipadoras como a Escola Caxuté que foi criada sob a coordenação de Mam´etu Kafurengá à mais de uma década, se consolidando como a Primeira Escola de Religião e Cultura de Matriz Africana do Baixo Sul da Bahia, espaço onde preserva e compartilha saberes dos povos Bantu e do legado histórico presente nos terreiros da nação angola localizados neste território baiano.

16118389_10208100189731823_729327511_n

Contribuições da Comunidade Caxuté por Táta Sobodê de Gongobila

Mais a diante, a Comunidade Caxuté compartilhou sua agenda de atividades e assumiu o compromisso de coordenar juntamente com coletivos do Baixo Sul, o 3º dia de trabalho da V Jornada de Agroecologia da Bahia que ocorrerá entre os dias 19 e 23 de abril no município de Porto Seguro – BA.

16128906_10208100187051756_784453825_n

Que o muki dos mikisi nos guie rumo a melhores dias para o povo, Nzambi nos dê sabedoria para cuidar do ntoto e que cada ser possa desfrutar da liberdade de viver sem medo da ganância e covardia que cega os tiranos que oprimem a humanidade.

Sakidila!

Relato de Táta Sobodê e da ndumbe Juliana de Hooxi Mukumbi, membros da Comunidade Caxuté.

Agradecimentos: a Andréa Souza do Grupo de Acessória Jurídica Popular da UNEB/Campus XV e a todos os elos e núcleos que tecem a Teia dos Povos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s