Zuela ao mundo

Mam´etu Kafurengá, em atividade na UFRB – Amargosa/BA. Créditos à Juliana Santana 

Bandagira…

Nós, candomblezeir@s, angoleir@s, camponesas, educador@s, estudantes e demais trabalhador@s viemos por meio deste zuelar, cantar, algumas palavras ao mundo, rogando a Nzambi que estas possam reverberar nos corações de cada um ser que co-habita a terra. Saudamos à Mam´etu Kafurengá (Mãe Barbara de Cajaíba) sacerdotisa máxima da Comunidade Caxuté por mais um ciclo que Nzambi concede em sua vida, atualizando sua vivência no mundo para seus 43 anos de idade. Sakidila!

Apesar deste ano, não podermos realizar o 9° Encontro Afro-Ecumênico – ENAFRO (devido a passagem da kota Kaiá Nkosi, Helenita Aguiar de Sousa, no dia 3 de novembro) a Comunidade Caxuté reforça sua luta incondicional em defesa da liberdade religiosa, ainda mais em tempos de ódio e violação dos direitos sociais duramente conquistados e ainda em disputa dentro da sociedade brasileira que ainda carrega um forte ranço colonial e escravocrata em sua estrutura de poder.  Não podemos nos calar enquanto os princípios da laicidade e da democracia ainda em construção sofrem retrocessos e ataques que tentam calar vozes que há séculos denunciam as mazelas do racismo, discriminação e opressão amordaçados no mito da democracia racial.

Estamos atravessando a década internacional dos afrodescendentes, ainda sim, à comunidade afro-brasileira sofre duros golpes como o ataque à membros de terreiros, a templos religiosos afro-brasileiros, a criminalização da liturgia praticada nos cultos de Candomblé e o genocídio devastador que extermina a cada 23 minutos um jovem negro no Brasil.

As políticas afirmativas e ações reparatórias são apenas algumas das medidas que a sociedade brasileira deve implementar para avançar na superação das injustiças e desigualdades com que trata filhos dos povos que a menos de um século e meio o estado brasileiro ainda tratava “oficialmente” como objeto que tinha um dono, um senhor.

A educação nos parece o caminho mais sólido para que superemos tamanha injustiça e preconceito capazes de “aprisionar” mentes e roubar de alguns de nós o que nos torna humanos “o ato pensar”. O Candomblé para os povos Bantu é um ponto de sintonia com a natureza, é o ato de compartilhar a ancestralidade presente em cada um de nossos mutue (cabeça), pois, ao celebrar nossa história, partilharmos kudia (comida), saudarmos a natureza e girarmos nosso Jamberesu (prática litúrgica do culto aos/as Mikisi) é que estamos circulando o Ubuntu (sou porque somos) e assim reconectando e construindo sabedorias.

Recebemos com muita expectativa e esperança, os temas de redação das duas provas do Enem realizados em 2016, “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil” e “Caminhos para combater o racismo no Brasil” ao tempo que reiteramos o apoio incondicional a lei 11645-08 que versa sobre o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena de maneira que não seja restringida por meio de reforma na LDB.

Kiuá Matamba, Uambulu Nsema, Kaiongo! Que nossa mam´etu ancestral sopre bons ventos sobre cada um ser. Mpembele Uambulu Nsema!

Comunidade Caxuté, Costa do Dendê – Bahia, 04 de dezembro de 2016

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s