Mestrandos do Programa de Mestrado Profissional em Educação do Campo da UFRB, participaram de “gira de saberes” na Comunidade de matriz africana Terreiro Caxuté, localizada no Baixo Sul da Bahia no povoado de Cajaíba – Valença.

UFRB - MESTRADO - CAXUTÉ

Foto: acervo Caxuté

A aula/gira de saberes ocorreu durante trabalho de campo realizado, como atividade do componente curricular: Desenvolvimento territorial e conflitos sociais no campo, ministrado pela Profª Dra. Silvana Lima. Inicialmente houve o acolhimento dos visitantes pela Mam´etu Kafurengá e demais membros da Comunidade Caxuté, em seguida foi apresentada a experiência da Primeira Escola de Religião e Cultura de Matriz Africana do Baixo Sul da Bahia, as ações desenvolvidas nesta escola, atendem não somente aos membros do Terreiro, como também dialogam com os Movimentos Sociais Populares, principalmente com os Povos e Comunidades Tradicionais, organizações camponesas e articulações do movimento negro, além disso, a Escola Caxuté realiza atividades em parceria com instituições de ensino regular desde as séries iniciais até a Pós-graduação essa iniciativa busca reivindicar, o cumprimento da lei 11645/08 que institui a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena no sistema oficial de ensino em todo território nacional.

Os discentes do primeiro Mestrado em Educação do Campo do Brasil, também conheceram alguns espaços do terreiro, onde são realizados os cultos e as reverências aos Mikisi, reconhecidos como ancestrais nos Terreiros de Nação Angola, guardiões das tradições dos povos Bantu que são oriundos principalmente do sul da África.

Ao longo da caminhada, foi visitada a Gameleira Branca “Ficus Doliaria” árvore sagrada da comunidade que representa a morada do Soba Kitembu (Tempo) rei do povo de Angola, os membros da comunidade afirmaram que a Cosmovisão praticada no Terreiro Caxuté, tem um ligação intrínseca com a natureza e por isso, também reverenciam-se os Caboclos que são ancestrais indígenas, mostrando o elo histórico que ligam os descendentes da cultura Bantu com os povos nativos do território que passou a ser chamado de Brasil, após a colonização europeia.

A gira de saberes na Comunidade de Terreiro do campo Caxuté, encerrou com a explanação do Profº Me. Leonardo Fiúsa da UNEB – Campus XV e da discente de Direito Juliana Borges, ambos relataram os conflitos que as comunidades tradicionais do Baixo Sul da Bahia, tem enfrentado devido a instalação de grandes “empreendimentos” na região, pois, esses empresários e seus grupos tentam expulsar as comunidades quilombolas, extrativistas e ribeirinhas, dos seus territórios tradicionalmente ocupados. Essas ações violam direitos que inclusive foram firmados pelo Brasil em instâncias internacionais como a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT.

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