Carta aberta da Kizoomba Maionga 2016

Caxuté - Maionga 2016

Caminhada com a Bandeira de Kitembu

Umenekenu,

Nós, angoleiros, candomblezeiros, educadores, estudantes, crianças, anciãos, povo organizado, militantes sociais, múlui mulunduri Kitembu (guerreir@s herdeir@s do Tempo). Estivemos reunid@s entre os dias 6 a 11 de agosto de 2016, na Comunidade Caxuté, onde estiramos nossas rixisa(s) (esteiras) entorno das raízes e nsabas (folhas) da frondosa Gameleira Branca e em meio ao sopro dos ventos que movem os dendezeiros, com jamberesu (rituais litúrgicos) e ngorosi (rezas/cantos) debatemos, construímos, compartilhamos e giramos saberes sobre educação, diáspora, política, memória e ancestralidade na produção de conhecimentos, das comunidades tradicionais de matriz africana Bantu. Essas sabedorias cruzaram o atlântico “diasporicamente” há séculos atrás se juntando à conhecimentos nativos do novo mundo.

Durante nossa minangu (jornada), zuela(mos) (falamos) sobre a necessidade do nosso povo seguir fortalecendo o mutuê (cabeça) e kufringala (resistir) à toda e qualquer tentativa de violência, que a ganância e a opressão capitalista, impõem sob nossos corpos e sob a ucnbámba (sabedoria) partilhada por noss@s mais velh@s pois, só com mobilização combateremos toda kizila e misúnda (monstruosidade) que extermina a juventude negra, destrói os bens naturais, usurpa nossas comunidades, viola nossa liberdade de culto e elimina toda forma de vida que resiste à lógica colonizadora.

Diante disso nos comprometemos a mbanzu (cuidar): das nossas crianças, jimbúndu (sementes) e do uvariue (bens que a natureza produz), pois, sem está não existem nkisi, encantado, orixá, vodum, caboclo, menha (água), nem kudia (comida). Também identificamos que por meio da defesa do nosso território r’kanfla (lugar de luta – nzo/casa) teremos condições de nos conectar com @s Jinkisi (ancestrais) para circular o nguzu (energia de vida) que nossos antepassados tanto batalharam para nos transmitir.

Para isso, lançamos mão da pedagogia do terreiro, desenvolvida pela sacerdotisa mam´etu Kafurengá, que tem como principal estratégia contribuir para a construção de uma educação libertadora nos ensinando a kubalumuka (erguer-se /levantar-se) alicerçado na cosmovisão Bantu, a partir da práxis do ubuntu (ser junt@s) para que possamos assim, construir mbamba (unidade) entre nossa ribandela (irmandade) e tecer uma solidariedade entre os povos possibilitando finalmente Kukúla (libertar) @s oprimid@s do mundo.

Que o ciclo da maionga (banho sagrado), possibilite nosso empoderamento e permita que a partir da regência do Soba Kitembu ( Rei Kitembu) possamos, hastear sua kupukumuna (bandeira) e, nos dê força para construirmos o (ukaielu) bem viver “rodeado” de uma imensa úmonhi (fartura) de saberes e sabores para que possamos desfrutar de kibúku (felicidade).

Sakidila!

Nguzu!

IMG_9863

Táta Luangomina, Mam´etu Kafurengá e Mam´etu Odemina celebram com alegria a Bandeira de Tat´etu Kitembu na Comunidade Caxuté

IMG_9881

O sorriso no rosto da juventude de terreiro marcam a caminhada do Caxuté

IMG_9860

Táta Kabondo Marcos (SP), na frente, taata Kambondo Kasutele, por traz segurando a ngoma para que o taata kambondo Jorge Rasta. 

IMG_9859

Mametu Kafurengá dança a muimbu (cantiga) de Kitembu “Aê Tempo”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s