Matriarca do Caxuté, Mam´etu Kafurengá cumpre agenda no Recôncavo da Bahia: integração e educação

18554031_1136884283079326_1908211477_o

Da esquerda para a direita: Mam´etu Kafurengá, Babaloxirá Idelson Salles, Taata Luangomina e pessoas ligadas ao Ilê Axé Ogunjá

 

Com vistas a fortalecer o plano de integração, fortalecimento, afirmação e consolidação das práticas religiosas de matriz africana na sua trajetória, a sacerdotisa-mor da Comunidade de Terreiro do Campo Nksuté (Caxuté), Mam’etu Kwa nkisi Kafurengá, cumpriu agenda religiosa nas cidades de Cachoeira e São Felix, famoso território de identidade do Recôncavo Baiano, onde reside para cursar o Mestrado em Ciências Sociais, seu filho biológico e também de santo, o Taata Luangomina.

Em cumprimento de agenda a sacerdotisa realizou escrita a punho que irá compor seu trabalho de conclusão de curso, para obtenção do grau de pedagoga. Sua pesquisa busca compreender o processo de educação no Kandomblé Kongo-Ngola da Comunidade Caxuté.

Além de atender fiéis e simpatizantes, por meio de consultas espirituais, durante sua estadia em São Félix, a reverenda participou da abertura das funções religiosa do Ilê Axé Ogunjá, que é liderado pelo Babalorixá Idelson Salles, louvou aos orixás no terreiro de pai Idelson. No domingo, dia 14, invocou o orixá Oxalá e na segunda-feira, dia 15 celebrou o orixá Obaluayiê.

Mam´etu Kafurengá e Táta Luangomina foram bem recebidos dentro da sociedade Ogunjá e juntamente com outros líderes de terreiros, de regiões próximas, foram acolhidos durante os dois dias com banquetes especiais. Pai Idelson Salles a levou até a mesa de sua residência e preparou um café especial na hora para que a sacerdotisa pudesse se sentir em casa e a vontade.

Ao reafirmar a cultura bantu e integrar-se a irmãos de outras nações , Kafurengá reforça seu papel de líder de um terreiro Bantu-Indígena que se coloca a serviço da sociedade brasileira  e que tem se posicionado em defesa/prática da resistência negra-indígena e contra o golpe.

Confira o ensaio “na barra da saia”:

18485564_1318207761629707_3230307355036656002_n

18486444_1318209524962864_4377203244552064767_n

18485862_1318208888296261_3693776553239479055_n

18447633_1318208081629675_7191946146959513449_n

 

Nota da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB Sobre o massacre do Povo Gamela – Maranhão

 

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) vem a público repudiar os ataques perpetrados contra o povo Gamela, ocorrido no Povoado de Bahias, município de Viana (MA) no dia 30 de abril de 2017, e mais uma vez denunciar o genocídio que está em trâmite no Estado brasileiro contra os povos indígenas.

As lideranças do Povo Gamela já vinham denunciando os planos de fazendeiros para matar lideranças de seu povo. No entanto, mais uma vez as autoridades competentes se omitiram diante das graves violações praticadas contra os povos indígenas seja por agentes estatais, seja por entes privados com o aval do Estado.

Não admitimos mais a morte de nosso povo e iremos até as instâncias internacionais cobrar a responsabilização daqueles que de forma descarada violam e incitam violências contra nossas comunidades confiando na impunidade de seus atos.

O direito ao território é um direito sagrado e não recuaremos um palmo de terra retomada. O massacre contra o povo Gamela envolvendo inclusive a amputação de membros do corpo de dois indígenas com mãos decepadas, cinco baleados e 13 lideranças feridos a golpes de facão e pauladas, que só não resultou em morte pela proteção de nossos encantados, pois o comando era para matar.

Somos povos originários desta Terra e exigimos respeito! Com tantas omissões e violações sistemáticas o Estado brasileiro declara guerra aos povos originários que lutam por justiça e o direito de viver dignamente como seres humanos.

Conclamamos todos e todas defensores e defensoras dos direitos humanos a cobrar do Estado brasileiro providências, pois basta de genocídio de nosso povo!

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil,
Parem o genocídio dos Povos Indígenas!
Por nenhum direito a menos!

 

Nota/reprodução do site: http://apib.info/2017/05/01/nota-da-articulacao-dos-povos-indigenas-do-brasil-apib-sobre-o-massacre-do-povo-gamela-maranhao/

Carta final da V Jornada de Agroecologia da Bahia

Encerramento da V Jornada de Agroecologia da Bahia. Foto: Lua

Está decretado o fim da invasão!

Foi num espaço à beira das praias de Porto Seguro – onde, exatos 517 anos atrás, aportaram na Bahia os invasores portugueses –, que nós, ativistas das Teias dos Povos, realizamos nossa V Jornada de Agroecologia, com o intuito de, em primeiro lugar, denunciar que essa chegada dos europeus, foi, acima de tudo, o início oficial da ocupação de nosso território pela colonização europeia e a hegemonia do Capital, a qual persiste até os dias atuais.

Somos mulheres e homens, crianças e anciões de inúmeros movimentos sociais e povos em luta: assentadas e assentados, acampadas e acampados, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, extrativistas, pescadoras e pescadores, quebradeiras de coco, povos de terreiro, povos de fundo e fecho de pasto, educadores, estudantes, pesquisadores, trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade. Na Teia dos Povos, construímos uma aliança em busca do Bem Viver e da defesa dos territórios.

Aqui viemos para afirmar em alto e bom som: esta não é a Costa do Descobrimento, é a Costa da Invasão! Estas terras tinham e têm dono. Este foi o mote de nosso encontro este ano: Terra e Território – Natureza, Educação e Bem Viver. Ele nos lembra que precisamos construir um mundo em que a luta dos povos pulse nos caminhos da ancestralidade.

Nossa alegria pela reunião se redobra com a presença de uma comitiva da Teia dos Povos do Maranhão, vinda do outro extremo do Nordeste, das fronteiras da Amazônia. Recebemos com alegria esses irmãos e irmãs que lutam pelos mesmos ideais e preparamo-nos para também visitá-los em retribuição, consolidando a aliança dos povos, tal como havíamos anunciado como nosso compromisso primordial.

Com esse ato de ocupar as praias de Porto Seguro, entre os dias 19 e 23/4/17, queremos lembrar ainda, que, hoje, vivemos tempos sombrios, em que nosso país e toda a América Latina voltam a correr grave perigo diante da nova investida imperial estadunidense e de outros representantes da linha de frente dos interesses do Capital.

Neste momento temeroso em que o Brasil tem sua Constituição rasgada por esse mau governo que ataca os direitos historicamente conquistados pelas lutas da classe trabalhadora, recebemos tristes notícias que sinalizam o avanço do império do autoritarismo e do racismo: primeiro, a chacina que vitimou esta semana ao menos dez camponeses na gleba Taquariçu do Norte, em Colniza (MT); depois, a condenação pela Justiça do jovem negro Rafael Braga, preso durante as manifestações de junho de 2013 por portar uma garrafa de pinho sol.

A investida do capital, vale lembrar ainda, não se dá somente por meio do poderio militar, mas também a partir da impressionante capacidade dos grandes conglomerados empresariais internacionais, em particular aqueles ligados à comunicação digital, de manter uma grande parte da população em estado de alienação, completamente absorvida por uma pauta diária que a imobiliza, desmobiliza e fragmenta.

Diante desse quadro, convocamos a todas as pessoas dispostas a não ceder a esse entorpecimento e comprometidas com a luta pela autonomia das comunidades e a dignidade humana a retomar a luta contra o Capital e o Império. Desde o Sul da Bahia conclamamos os povos a se juntarem à bandeira da agroecologia e, por meio dela, construir alternativas locais à monocultura que o capital nos impõe. O mundo capitalista é uma fazenda cercada!

A Teia representa a esperança de unidade dos povos, em sua diversidade e pluralidade. Não haverá democracia real no Brasil sem a justiça na distribuição de terras e na demarcação dos territórios, sem o respeito à autonomia das comunidades e sem a construção de uma nova matriz econômica, alicerçada na soberania alimentar e na agroecologia. Se a colonização se consolida em nossas cabeças, a descolonização real começa pelos pés, pisando nos territórios, demarcando-os com nossos passos e cultivando-os com a prática de nosso bem viver.

Revigorados e animados pelo encontro e a partilha, deixamos as praias da Costa da Invasão novamente rumo a nossos territórios reafirmando o compromisso com os desafios que a Teia se coloca para 2017: consolidar e robustecer a aliança dos povos; conquistar e garantir nossos territórios; recuperar os biomas devastados pelo latifúndio agroexportador; produzir autonomia e soberania alimentar; construir uma economia para além do capital; descolonizar definitivamente o ensino em nossas comunidades, fortalecendo as Quatro Grandes Escolas que neles estão sendo cultivadas – A Escola das Águas e dos Mares, a Escola dos Quilombolas, Tambores e Terreiros, a Escola do Arco e da Flecha e a Escola da Floresta, do Cacau e do Chocolate.

Muitas pisadas na direção do cumprimento desses compromissos já foram dadas este ano. Um exemplo são as diversas visitas solidárias entre as comunidades participantes da Teia, como a agora realizada por uma delegação da Jornada ao território Cahy-Pequi/Comexatibá, do Povo Pataxó, chamado pelos invasores de Parque do Descobrimento. Os mutirões se multiplicam. A rede de troca de sementes crioulas prospera. A juventude se fortalece. As mulheres avançam na tecitura de sua rede. Nossas iniciativas de comunicação se ampliam em vários fronts – a exemplo do acordo que assinamos com a TV Educativa da Bahia durante a V Jornada.

Ao som dos maracás, tambores, atabaques, cantando e bailando com nossas Guerreiras e Guerreiros, Caboclas e Caboclos, Mikisi, Orixás, Seres de Luzes e Encantados, convocamos mulheres, homens, jovens, crianças, anciões – toda a humanidade em luta pela construção do bem viver – a juntar-se a nossa caminhada. A história pertence à mulher e ao homem que não têm medo de lutar.

É preciso resistir para existir. Compreendemos que nossa Mãe Terra não nos pertence, nós é que pertencemos à Terra. E por isso é preciso dizer ao povo que avance para a tarefa da descolonização. Convocamos a todos a se juntar nesse grande mutirão, na construção permanente do Bem Viver.

Aquilo que nos une é maior do que o que nos separa.

Dizendo ao Povo que avance. Avançaremos!!!!

Pátria libre!

Porto Seguro, Terra dos Pataxó, 23 de abril de 2017.

Fonte original: http://teiadospovos.redelivre.org.br/2017/04/25/carta-final-da-v-jornada-de-agroecologia-da-bahia/

CARTA DE REPÚDIO – ATO DE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA EM ANEXO CONTRA MEU AMIGO Táta Luangomina E TODA COMUNIDADE CAXUTÉ

Por: Anderson da Hora

14522801_1287940507923954_6420931257945291568_n.jpg

Foto reprodução: Facebook Anderson da Hora (Andissinho)

Falar em religião não é fácil. Mas não pelo tema em si, mas sim, pela falta de respeito e HUMANIDADE das “pessoas”.

Hoje escrevo para dar apoio aos meus amigos de MATRIZ-AFRICANA que a todo tempo sofrem com atos que ferem a sua DIGNIDADE, a sua INTIMIDADE e o DIREITO de escolha. Alerta! Estamos sendo atacados por uma espécie que se dizem “evangélicos” e que estão transformando pessoas em ‘robôs” controlados por uma FÉ doentia.

Vocês sangram, choram, riem, clamam pelo que acreditam, são de carne e osso (…) Nós também!

Que fé é essa em que “vocês” lutam contra pessoas? As religiões são importantes na sociedade. Isso é fato! Porém, as práticas adotadas a todo tempo não condiz com o que chamam de ESPÍRITO SALVADOR.

Todos sabem que a NOSSA Comunidade Africana é o alvo (…) Respeite-nos, afaste-nos dos seus atos e pensamentos inescrupulosos.

Vamos lutar sim, somos FORTES! E, vocês não sabem o quanto somos fortes.

Querem nos levar para um lugar que não queremos ser conduzidos. Querem aplicar a violência sofrida pelos Índios em 1500, Querem passar por cima de nossa cultura AFRICANA em nome de um (D)eus que não lhes outorga o direito de assim o fazer.

Vamos resistir a toda forma de violência…Já disse Edson Gomes ” Há 500 anos estamos aqui…”

Resistirei, resistiremos…

VOCÊ, VOCÊS, TERREIRO CAXUTÉ NÃO ESTÃO SOZINHOS!

17757378_1365922210131584_2128829653635039015_n.jpg